Turma multidisciplinar de cursos da Saúde da UCPel inicia trabalho com gestantes

Pela primeira vez turmas multidisciplinares formadas por estudantes de cursos da área da Saúde estão em funcionamento na Universidade Católica de Pelotas (UCPel). São aproximadamente 200 alunos de Medicina, Odontologia, Fisioterapia e Enfermagem, além do Serviço Social, envolvidos nas atividades coletivas propostas pela matéria oferecida já no começo das graduações. Nesta terça-feira (31), acadêmicos da disciplina desenvolvida na Unidade Básica de Saúde (UBS) União dos Bairros se reuniram com gestantes do Jardim do Prado, quando disseminaram informações sobre gestação e pré-natal.A disciplina reúne concomitantemente atividades teóricas, práticas e tutorias. Nas práticas, os alunos acompanham atendimentos à comunidade e nas tutorias há troca de experiências entre os alunos que trabalham nas quatro UBS’s sob responsabilidade da UCPel: União de Bairros, Py Crespo, Nossa Senhora de Fátima e Pestano. A coordenadora do curso de Odontologia, Patrícia Guerreiro, destaca que as atividades integradas são uma demanda das políticas nacionais, especialmente as relacionadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). “O acadêmico tem que atuar de maneira integral para entender que o corpo depende das várias áreas do conhecimento da Saúde”, explica, ao destacar que a missão da universidade é suprir as necessidades da comunidade onde está inserida.O evento desta terça-feira foi realizado por uma turma multidisciplinar. Na Associação de Moradores do Jardim do Prado, zona norte de Pelotas, cinco grávidas compareceram à primeira atividade do grupo de gestantes criado pelos acadêmicos. Na ocasião, houve troca de informações entre estudantes e pacientes sobre pré-natal e puerpério (período desde o parto até que o estado geral da mulher volte ao normal). Além das explanações sobre saúde e bem-estar, presentes e um lanche foram oferecidos às participantes. A intenção é que a programação do grupo recém-criado ocorra uma vez por mês.As gestantes aprovaram a iniciativa desenvolvida pela turma multidisciplinar. E já adiantam que vão recomendar as reuniões para outras gestantes e puerpérias do bairro.Franciele Oliveira e Raniele Barbosa têm 23 anos e lidam com as novidades da primeira gestação. As coincidências não param por aí: as duas terão meninas, que serão chamadas de Antônia. “Sempre fui muito bem atendida na UBS e achei muito legal essa troca de experiências entre nós e os alunos. Fico contente porque tem gente se preocupando por nós”, afirma Franciele. Conhecimento ampliadoOs alunos também estão satisfeitos com essa troca. Vanessa de Oliveira é caloura do curso de Medicina e recebeu a interdisciplinaridade com entusiasmo. “Todos nós (alunos da área da Saúde) temos o mesmo ideal, independentemente do curso. Essa atividade nos integra e nos faz conhecer outras realidades de mundo, transformando a gente em profissionais melhores e mais completos”, afirma. A aluna de Odontologia Celina Pinheiro tem pai e irmã dentistas. Segundo ela, esse contato com a área a ensinou a gostar e estimulou a optar pelo curso. Sobre a turma multidisciplinar, considera importante a integração de profissões. “Elas se completam. Além disso, a convivência com outras realidades me ensina a evoluir como pessoa”, analisa.Impacto na comunidadeAs ações desenvolvidas pelas turmas integradas têm como meta corrigir problemas sociais. Na UBS União dos Bairros cada turma é encarregada de trabalhar com um grupo, uma vez por semana. A turma de segunda-feira é responsável pela saúde da escola, onde mapeia e dá orientações sobre saúde bucal e nutricional. A terça-feira é voltada às gestantes e puerpérias, enquanto na quarta os alunos são encarregados do grupo de adolescentes do bairro, quando abordam temas como sexualidade, drogas e DST’s. Na quinta-feira são os idosos que recebem assistência e, na sexta, ocorrem atividades e ações com hipertensos e diabéticos no chamado “hiperdia”.  Professor dos cursos da área da Saúde na UCPel e responsável pela turma integrada da UBS União dos Bairros, Cayo Lopes acredita que depois da implementação da disciplina a formação dos alunos se tornou mais completa. “Já tínhamos contato aqui na UBS (de alunos com pacientes), mas não era esse trabalho de equipe. Não havia essa interação tão grande dos alunos com  a comunidade”, ressalta, ao comparar o trabalho de antes com o de agora. Ainda segundo ele, as ações programáticas preconizadas pela atenção primária viabilizam o diagnóstico da população e permitem evitar que ocorram problemas de saúde rotineiros na comunidade atingida. foto da notícia