Desde o início de junho, todas as  terças-feiras,  os alunos do 5° semestre da Odontologia da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) têm um compromisso com o futuro profissional e com jovens pacientes. Esse é o dia em que realizam o atendimento das crianças do Instituto Dom Antônio Zattera. A ação faz parte da disciplina de Odontologia em Saúde Coletiva e o curso da Católica é o único na cidade a oferecer o tratamento como prática curricular. Uma oportunidade para os estudantes desenvolverem habilidades profissionais, mas acima de tudo: ensinar a cuidar desde cedo da saúde bucal e aprender sobre a importância do atendimento humanizado.

Segundo a professora titular da disciplina, Beatriz Costa Bidigaray, o Tratamento Restaurador Atraumático (TRA)- procedimento aplicado nas crianças do Instituto, foi incluído como prática obrigatória no curso há cerca de 2 anos. Com a pandemia, os atendimentos em 2020 foram suspensos e retomados neste semestre. Dos  cerca de 200 menores  atendidos no Instituto Dom Antônio Zattera, 20 já passaram pela ação. “Nossa proposta é manter o atendimento ao longo do ano e oferecer o tratamento, que é gratuito, custeado pela universidade, a todas as crianças do Instituto”, destaca a professora. 

Como funciona o atendimento

Os 16 alunos que fazem parte da ação, supervisionados por professores do curso,  foram divididos em duas equipes que atendem aos pequenos  pela manhã e tarde, observando os protocolos sanitários de prevenção ao coronavírus.  As crianças, com idades entre 4 e 12 anos, passam por exame, escovação supervisionada e recebem o Tratamento Restaurador Atraumático, que consiste na remoção seletiva da cárie e selamento com material. Cáries  em estágio inicial são restauradas durante o atendimento no Instituto, já casos mais avançados são encaminhados para a clínica da Católica. O TRA é um procedimento odontológico recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Prática para humanizar 

O atendimento das crianças do Instituto Dom Antônio Zattera, explica a professora Beatriz, tem uma função maior do que apenas o exercício da prática dos futuros profissionais. Segundo ela, é a oportunidade de mostrar aos acadêmicos  a possibilidade do atendimento fora do consultório, com a execução de trabalhos de saúde coletiva em espaços sociais.

“Quantas crianças a gente vai tentar conscientizar da importância da escovação? Isso é muito importante para elas e para os alunos- o trabalho de prevenção da saúde oral.  Além disso, a gente desenvolve nos alunos o lado mais humano, eles não ficam tão técnicos” frisa Beatriz.

A aluna Maira Schmidt é uma das participantes da prática e diz que a ação reflete na maneira como tem pensado a Odontologia. “Acredito que principalmente a questão da humanização, de enxergar o paciente com olhos de quem quer realmente ver! As idas ao Instituto nos ensinam sobre isso” diz a jovem ao salientar que a prática da disciplina de Saúde Coletiva é um diferencial do curso de Odontologia da UCPel. 

Redação: Alessandra Senna

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